O batismo com fogo em Mateus 3:11: uma análise histórica e exegética
DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.18862731
Palavras-chave:
Batismo com Espírito Santo, Batismo com fogo, Teologia bíblicaResumo
O presente ensaio investiga o sentido da expressão “batismo com fogo” em Mateus 3:11, temática central para a exegese sinótica e para a pneumatologia carismático-pentecostal, dada sua recorrente associação tanto a juízo escatológico quanto a purificação e capacitação espiritual. Partese da constatação de que a tradição patrística legou um campo interpretativo plural – tribulações, fogo do inferno, graças superabundantes do Espírito, purificação pósmorte – gerando um problema hermenêutico: afinal, o fogo em Mateus 3:11 designa um segundo batismo de condenação ou qualifica, positivamente, a própria ação do Espírito Santo prometida por João Batista? A hipótese defendida é que, à luz da gramática grega, da estrutura literária do texto mateano e do uso bíblico do símbolo do fogo, “Espírito Santo e fogo” configuram uma única realidade batismal, cujo foco é a obra regeneradora, purificadora e dinamizadora do Espírito na vida dos crentes, e não um batismo distinto reservado aos ímpios. O objetivo geral é demonstrar, histórica e exegeticamente, que a leitura predominantemente punitiva do fogo não faz justiça nem ao contexto imediato de Mateus nem ao desenvolvimento canônico do tema. Metodologicamente, o trabalho articula: (a) levantamento e análise crítica de interpretações patrísticas selecionadas; (b) exame detalhado da perícope do texto grego de Mateus 3:10-12, com especial atenção à construção “artigo substantivo–καὶ–substantivo” e ao paralelismo com água/ 10 fogo; (c) e (d) análise da possível estrutura quiástica da perícope mateana de 3:1012. Justificase a pesquisa pela relevância doutrinária e pastoral do tema em contextos holiness, carismáticos e pentecostais, onde “batismo com fogo” é frequentemente invocado entre um batismo de purificação e de juízo; ao propor uma síntese que integra história da interpretação e rigor filológico, o trabalho busca oferecer fundamentos mais consistentes para a formulação teológica e para a prática eclesial em torno da experiência do Espírito.
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